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Atividades Imobiliárias - Normas Gerais



25/10/2013


1.Considerações Iniciais



A atividade imobiliária é um segmento específico da contabilidade e por essa
razão obedece a critérios próprios, porém, sempre em conformidade com as normas
estabelecidas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), por meio da
Resolução CFC nº 750/93 (alterada pela Resolução CFC nº 1.282/10), em âmbito geral, e da Resolução CFC n° 1.266/09 (vigência a partir de 01/01/2010), que dispõe sobre critérios e procedimentos de
alcance específico para atividades imobiliárias, devendo ser observados com
maior atenção os Princípios da Oportunidade e da Competência.

Sobre esse assunto, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) aprovou ainda o
Pronunciamento Contábil CPC 17, que
trata dos contratos de construção, a Interpretação Técnica ICPC 02, que dispõe
sobre o contrato de construção do setor imobiliário, e a Orientação Técnica
OCPC 01(R1),
que aborda as tratativas aplicáveis às entidades de incorporação imobiliária.

1.1.Caracterização
de atividade imobiliária



A atividade imobiliária compreende o desmembramento de terrenos, loteamento,
incorporação de imóveis, construção própria ou em condomínio, locação de
imóveis próprios ou de terceiros e administração de centros comerciais,
shopping centers e condomínios residenciais.

Nota Cenofisco:

Considera-se contrato de construção aquele especificamente negociado para a
construção de ativo ou de combinação de ativos que sejam inter-relacionados ou
interdependentes em função da sua concepção, tecnologia e função ou do seu propósito ou uso final.



Quando essas atividades envolvem imóveis próprios, os fatores que afetam a contabilidade dizem respeito ao processo de
construção, venda, locação e administração.

Em relação à construção, esta pode ser realizada com recursos próprios ou
mediante financiamento obtido na rede bancária ou, ainda, com recursos dos
compradores, no caso de construção em condomínio a preço de custo.

O art. 410 do Decreto nº 3.000/99
(RIR/99), que dispõe sobre o tratamento fiscal aplicado a esse segmento,
estabelece que a atividade imobiliária se caracteriza por meio da compra, pelo
contribuinte, de imóvel para venda ou para empreender desmembramento ou
loteamento de terrenos, incorporação imobiliária ou construção de prédio
destinado à venda.

A expressão “Contribuintes” abrange, além da pessoa jurídica que se dedicar a
qualquer das atividades de que trata este item, a pessoa física a ela
equiparada, por promover a incorporação de prédios em condomínio ou o
loteamento de terrenos nos termos do art. 151 do RIR/99.

A seguir, ilustramos as possibilidades contábeis nas transações
supramencionadas com imóveis próprios.

Fonte: Costa, Magnus Amaral da.
Contabilidade da Construção Civil e Atividade Imobiliária, 2ª Edição, Editora
Atlas, São Paulo, 2011, pág. 21.

2.Unidade Imobiliária



Entende-se como unidade imobiliária (Instrução Normativa SRF nº 84/79):

a)o terreno adquirido para venda, com ou sem construção;

b)cada lote oriundo de desmembramento de terreno;

c)cada terreno decorrente de loteamento;

d)cada unidade distinta resultante de incorporação imobiliária;

e)prédio construído para venda como unidade isolada ou autônoma.

2.1.Desmembramento



O art. 1º, § 2º, do Decreto-Lei nº
271/67 define desmembramento como
sendo a subdivisão de área urbana em lotes para edificação na qual seja
aproveitado o sistema viário oficial da cidade ou vila sem que se abram novas
vias ou logradouros públicos e sem que se prolonguem ou se modifiquem os
existentes.

2.2.Loteamento



O art. 1º, § 1º,
do Decreto-Lei nº 271/67 define
loteamento como a subdivisão de área em lotes destinados à edificação de
qualquer natureza, que não se enquadre na de desmembramento.

2.2.1.Loteamento em imóveis de
propriedade de terceiros



Loteamento de imóveis é a subdivisão de área em lotes, destinados à edificação
legal de desmembramento (arts. 1º e
2º do Decreto-Lei nº 271/67).

2.3.Incorporação imobiliária



Incorporação imobiliária é a atividade exercida com o intuito de promover e
realizar a construção, para alienação total ou parcial, de edificações ou
conjunto de edificações compostas de unidades autônomas (item 5 do Parecer
Normativo CST nº 66/73, Parecer Normativo CST nº 77/73 e art. 28 da Lei nº 4.591/64).

Tal atividade se caracteriza pelo comprometimento ou pela efetividade da venda
de frações ideais de terreno, objetivando a vinculação de tais frações a unidades
autônomas em edifícios a serem construídos ou em construção, sob o regime
condominial.

Nota Cenofisco:

Não será considerada incorporação se faltarem duas características essenciais:



a)a construção não esteja concluída;

b)antes de iniciadas as transações, sejam destinados à propriedade comum dos
adquirentes das unidades autônomas o terreno e as partes que não forem de uso
privativo.

3.Registro Permanente de Estoques



As pessoas jurídicas, que exercem atividade imobiliária tributadas pelo lucro
real, devem manter registro permanente de estoque com a finalidade de
determinar o custo dos imóveis vendidos.

O registro permanente de estoque de imóveis deverá ser efetuado em livro,
fichas, mapas ou formulários contínuos emitidos por sistema de processamento de
dados, a critério do contribuinte, tomando como modelo as fichas usuais de
controle de estoque, podendo conter outros elementos que sirvam de informação,
com características peculiares às atividades imobiliárias (Instrução Normativa
SRF nº 84/79).

O registro permanente de estoques deverá abranger todos os imóveis destinados à
venda, inclusive os terrenos originados de desmembramentos ou constantes de
loteamento em implantação, edificações em andamento e respectivos terrenos ou
frações ideais de terrenos resultantes de incorporação imobiliária, bem como
quaisquer outros prédios em construção para venda.

No caso de empreendimento, que compreenda duas ou mais unidades a serem
vendidas separadamente, o registro de estoque deverá discriminar, ao menos por
ocasião do balanço, o custo de cada unidade distinta, considerando-se como
atendida essa exigência se a discriminação constar no Livro Registro de
Inventário.

3.1.Correção monetária dos imóveis
em estoque



A correção monetária foi extinta a partir de 01/01/1996
pelo art. 4º Lei nº 9.249/95; assim, as contas representativas do custo de
imóveis em estoque devem ser corrigidas monetariamente até 31/12/1995.

3.2.Escrituração



A escrituração do registro permanente de estoques deve ser efetuada com base
nos lançamentos dos custos incorridos e das baixas de estoques constantes da
escrita comercial (Instrução Normativa SRF nº 84/79).

A escrituração poderá ser feita de forma sucinta, mediante simples referência à
folha e ao número do Livro Diário em que foram efetuados os lançamentos
mencionados, ou, então, mediante indicação do número de ordem de cada
lançamento contábil, no caso de contabilização feita por processamento de
dados.

3.3.Dispensa de autenticação



O contribuinte não está obrigado a registrar nem autenticar o livro ou os
conjuntos de fichas, mapas ou formulários mencionados em nenhum órgão ou
repartição, observando-se, entretanto, que os livros deverão conter termos de
abertura e de encerramento, assinados pelo contribuinte e pelo contabilista
legalmente habilitado, além de ser necessário manter o Registro de Inventário
em boa ordem e guarda, à disposição da fiscalização, até que ocorra a
inexigibilidade dos créditos tributários originados de operações nele
escrituradas (Instrução Normativa SRF nº 84/79).

4.Registro de Inventário



As pessoas jurídicas, que exercem atividades imobiliárias, inclusive as
optantes pela tributação com base no lucro presumido, estão obrigadas a
escriturar o Livro Registro de Inventário. A exigência do registro permanente
de estoques não dispensa o contribuinte da obrigação de possuir e escriturar o
Livro Registro de Inventário, considerando que o registro permanente de estoque
tem a função de auxiliar o registro de inventário (Instrução Normativa SRF nº
84/79).

No final de cada exercício social, deverão constar do Livro Registro de
Inventário todos os imóveis destinados à venda.

As unidades existentes em estoque na data do balanço serão discriminadas no
Livro Registro de Inventário do seguinte modo:

a)os imóveis adquiridos para venda, um por um;

b)os terrenos oriundos de desmembramento ou loteamento, por conjunto de lotes
com idêntica dimensão ou por quadras, quando referentes a um mesmo
empreendimento; ou, então, terreno por terreno, se assim preferir o
contribuinte;

c)as edificações resultantes de incorporação imobiliária, inclusive respectivos
terrenos, por conjunto de unidades autônomas com idêntica área de construção e
o mesmo padrão de acabamento, conquanto se refiram a um mesmo empreendimento;
ou, então, unidade por unidade, se assim preferir o contribuinte;

d)os prédios construídos para venda e respectivos terrenos, prédio por prédio.

Planilha 01 - Controle Permanente de
Estoque

Empresa:

Empreendimento:

Área Total (m2)

1.500

Área p/ Rateio (m2): 1.200





Estoque de Obra em Andamento

Custo Acumulado



270.250,00





Custo Incorrido no Mês



270.250,00





Unidade

Área m2

Saldo Inicial

01/X1

Saldo Final

A1 G1

300

-

67.562,50

67.562,50

A2 G2

300

-

67.562,50

67.562,50

A3 G3

300

-

67.562,50

67.562,50

A4 G4

300

-

67.562,50

67.562,50

A5 G5









Total

1200



270.250,00

270.250,00

Área Total

1500m2









5.Formação do Custo do Imóvel



O custo do imóvel, objeto da incorporação imobiliária, compreende todos os
gastos incorridos para a sua obtenção, independentemente de pagamento, e
abrange:

a)preço do terreno, inclusive gastos necessários à sua aquisição e
regularização;

b)custo dos projetos;

c)custos diretamente relacionados à construção, inclusive aqueles de preparação
do terreno, canteiro de obras e gastos de benfeitorias nas áreas comuns;

d)impostos, taxas e contribuições não recuperáveis que envolvem o
empreendimento imobiliário, incorridos durante a fase de construção;

e)encargos financeiros diretamente associados ao financiamento do
empreendimento imobiliário.

Considera-se custo do imóvel aquele efetivamente aplicado na construção.

Adiantamentos para aquisição de bens e serviços devem ser controlados,
separadamente, em rubrica específica de adiantamentos a fornecedores (grupo de
estoques de imóveis a comercializar) e considerados como custo incorrido à
medida que os bens e/ou serviços a que se referem forem obtidos e efetivamente
aplicados na construção.

D

Adiantamentos a Fornecedores (Ativo Circulante)

R$

C

Fornecedores (Passivo Circulante)

R$

Adiantamentos a Fornecedores conforme cheque nº 123
do Banco BRF S/A.



D

Custos das Unidades Imobiliárias (Passivo Circulante ou Passivo Não Circulante)

R$

C

Adiantamentos a Fornecedores (Ativo Circulante)

R$

Apropriação dos custos incorridos das unidades imobiliárias.



Adicionalmente, o custo do imóvel vendido deve compreender o valor estimado das
garantias referentes ao período posterior à sua conclusão e entrega (por
exemplo: entrega das chaves ou outro evento de transferência da posse do
imóvel).

Os gastos contratuais sem probabilidade de recuperação são reconhecidos
imediatamente no resultado como custo incorrido do empreendimento. Por exemplo:
se parte da obra for refeita por apresentar defeito e o gasto correspondente
não for recuperável por meio de seguro próprio ou de terceiro responsável, deve
ser registrado como custo imediatamente. O reconhecimento da perda independe do
estágio de execução do empreendimento ou do montante dos lucros estimados em
outros empreendimentos e não deverá impactar o cálculo da evolução da obra para
fins de reconhecimento da receita de incorporação imobiliária.

Os encargos financeiros incorridos com empréstimos e financiamentos obtidos de
terceiros, por entidade controladora ou por suas investidas, e diretamente
associados aos financiamentos da construção e para a aquisição de terrenos de
empreendimentos imobiliários do grupo, devem ser registrados em rubrica
específica representativa de estoques de imóveis a comercializar nas
demonstrações contábeis consolidadas. Por sua vez, os encargos financeiros
incorridos com empréstimos e financiamentos, inclusive para aquisição de
terrenos, obtidos de terceiros por entidade controladora, e aplicados,
exclusivamente, em seus respectivos
empreendimentos imobiliários, devem ser registrados em rubrica específica
representativa de estoques de imóveis a comercializar nas demonstrações
contábeis desta entidade.

Nas demonstrações contábeis consolidadas, os encargos, decorrentes de
empréstimos e financiamentos obtidos de terceiros por entidade controladora,
cujos recursos tenham sido repassados e aplicados em empreendimentos
imobiliários de suas controladas e coligadas, devem ser apropriados,
observando-se os mesmos critérios de apropriação da receita de incorporação
imobiliária da controlada ou coligada. Os encargos não apropriados ao resultado
das controladas e coligadas devem ser apresentados nas demonstrações contábeis
da controladora, em conta de investimentos no ativo não circulante.

Consideram-se encargos financeiros diretamente associados ao financiamento da
construção aqueles vinculados desde o início do projeto, devidamente aprovado
pela administração da entidade de incorporação imobiliária, desde que existam
evidências suficientes de que tais financiamentos, mesmo obtidos para fins
gerais, foram usados na construção dos imóveis.

O montante dos encargos financeiros registrados nos estoques de imóveis a
comercializar durante um período não deve exceder o montante dos encargos
financeiros incorridos durante aquele período, atendendo-se aos seguintes
critérios:

a)os encargos financeiros elegíveis para serem registrados devem ser
determinados com base na aplicação de uma taxa de capitalização aos custos
efetivamente incorridos com o imóvel. Essa determinação deve levar em
consideração a taxa efetivamente contratada, no caso dos empréstimos diretamente
vinculados ou a taxa média ponderada dos encargos financeiros aplicáveis aos
financiamentos.

b)os encargos financeiros são registrados nos estoques de imóveis a
comercializar, quando, provavelmente, resultarem em benefícios econômicos
futuros e puderem ser de forma razoável estimados, e serão recuperáveis por
meio do preço de venda do correspondente imóvel.

c)deve ser capitalizada como parte do custo do imóvel em construção a parcela
de variação cambial considerada ajuste ao custo financeiro, como no caso de
financiamentos em moeda estrangeira com juros. A capitalização dos encargos
financeiros (juros mais variação cambial) é limitada ao valor do encargo de
empréstimos locais, para prazo e condições similares.

d)a data para início da capitalização dos encargos financeiros nos estoques de
imóveis a comercializar deve ser aquela na qual forem atingidas todas as
seguintes condições:

d.1)que os custos com a aquisição
dos terrenos ou a construção dos imóveis estejam sendo incorridos;

d.2)que os custos com empréstimos estejam sendo incorridos; e

d.3)que as atividades necessárias para preparar o imóvel para comercialização
estejam em progresso.

e)os encargos financeiros devem ser registrados nos estoques de imóveis a
comercializar até o momento em que a construção física estiver concluída.

f)os valores dos encargos financeiros capitalizados nos estoques de imóveis a
comercializar não devem impactar o cálculo da evolução da obra para fins de
reconhecimento da receita de incorporação imobiliária.

Os encargos financeiros elegíveis para serem capitalizados e mantidos nos
estoques de imóveis a comercializar devem ser calculados proporcionalmente às
unidades imobiliárias não comercializadas, sendo que os encargos financeiros
calculados proporcionalmente às unidades imobiliárias já comercializadas devem
ser integralmente apropriados ao resultado, como custo das unidades
imobiliárias vendidas.

Além dos custos incorridos, também há de se destacar:

a)os custos contratados; e

b)os custos orçados.

5.1.Custos contratados



Poderão ser computados na formação do custo do imóvel vendido os custos
contratados para a realização das obras ou melhoramentos necessários.

Os custos contratados, referentes a empreendimento que compreenda duas ou mais
unidades, deverão ser apropriados a cada uma delas, mediante rateio baseado em
critério usual no tipo de empreendimento imobiliário.

Esses custos poderão ser atualizados monetariamente, desde que tenha sido
estipulada cláusula nesse sentido entre o contribuinte e o fornecedor dos bens
ou serviços.

A contabilização dos custos contratados será efetuada pelo valor efetivamente
relacionado ao imóvel vendido, observando-se que a contabilidade não deverá
registrar custos contratados apropriáveis a unidades a serem vendidas.

O valor dos custos contratados relativos ao imóvel vendido deverá ser creditado
à conta específica do Passivo Circulante ou do Passivo não Circulante, na data
da efetivação da venda, em contrapartida a um dos seguintes débitos:

a)da conta própria de resultado do período-base, se referente à unidade não
concluída vendida à vista, ou vendida a prazo ou à prestação com pagamento
total contratado para o curso do período-base da venda;

b)da conta própria do grupo de receita diferida no passivo não circulante, se
referente à unidade não concluída vendida a prazo ou à prestação com pagamento
restante ou pagamento total contratado para depois do período-base da venda (na
hipótese de interesse do contribuinte pelo reconhecimento do lucro bruto
proporcionalmente à receita de venda recebida).

D

Custo do Imóvel Vendido (Resultado do Exercício)

R$

C

Custos Contratados (Passivo Circulante)

R$

Apropriação dos custos incorridos das unidades imobiliárias.



ou

D

Receita Diferida (Passivo não Circulante)

R$

C

Custos Contratados (Passivo Circulante)

R$

Apropriação da receita diferida incorridos das unidades imobiliárias.



Os custos contratados após o dia de efetivação da venda, bem como as
atualizações monetárias dos contratos de fornecimento de bens ou serviços
ocorridos depois dessa data, serão creditados à conta do Passivo Circulante ou
do Passivo não Circulante em contrapartida a débito da conta de Resultado do
Exercício ou a conta própria do grupo de resultados (Custo do Imóvel Vendido).

Fornecedores, à medida que os contratos de fornecimento de bens ou serviços
forem sendo cumpridos, deverá ser debitada a conta específica do passivo
circulante e creditada à conta do ativo representativa de obras em andamento,
pelo valor do custo contratado apropriável a cada unidade vendida.

5.2.Custos orçados



As operações de venda de unidade imobiliária não concluída são consideradas de
maior complexidade e, por essa razão, necessitam de maior detalhamento da
apropriação das modalidades de custos e também requerem muita atenção no que
tange à área tributária e fiscal.

Iniciamos a exemplificação com a demonstração de opção pela inclusão de custos
orçados.

A pessoa jurídica que explora atividade imobiliária e contratar a venda antes
de completar o empreendimento, além dos custos incorridos, poderá, por opção,
computar no custo do imóvel vendido os custos orçados para a conclusão das
obras ou melhoramentos a que estiver contratualmente obrigado.

O custo orçado será baseado nos custos usuais no tipo de empreendimento
imobiliário, a preços correntes de mercado, na data em que o contribuinte optar
por ele, e corresponderá à diferença entre o custo total previsto e os custos
incorridos ou contratados na mencionada data.

A opção para computar o custo orçado deverá ser feita até a data em que se der
o reconhecimento do lucro bruto da venda de unidade isolada ou da primeira unidade de empreendimento que compreenda
duas ou mais unidades distintas.

Os custos orçados, referente a empreendimento que compreenda duas ou mais
unidades, deverão ser apropriados a cada uma delas, mediante rateio baseado em
critério usual no tipo de empreendimento imobiliário.

O valor orçado para a conclusão das obras ou melhoramentos poderá ser
modificado, em qualquer época, em decorrência:

a)de sua atualização monetária;

b)de alterações no projeto ou nas especificações do em-preendimento.

O valor dos custos orçados referentes ao imóvel vendido deverá ser creditado a
conta específica do passivo circulante ou do passivo não circulante, na data da
efetivação da venda, em contrapartida a um dos seguintes débitos:

a)da conta própria de resultado do período-base, se referente à unidade não
concluída vendida à vista ou a prazo, ou à prestação com pagamento total
contratado para o curso do período-base da venda;

b)da conta própria do grupo de receita diferida no passivo não circulante, se
referente a unidade não concluída vendida a prazo ou à prestação com pagamento
restante ou pagamento total contratado para depois do período-base da venda.

5.3.Despesas e gastos diversos



A seguir, abordaremos a tratativa contábil de algumas despesas e gastos que,
embora contribuam com a construção e venda da unidade imobiliária, não são
considerados efetivamente custos dessas unidades.

5.3.1.Despesa com comissão de venda



As despesas com comissões de vendas incorridas pela entidade de incorporação
imobiliária devem ser ativadas como pagamentos antecipados e apropriadas ao
resultado em rubrica relacionada a despesas com vendas, observando-se os mesmos
critérios de apropriação da receita de incorporação imobiliária.

D

Despesas com Comissões de Vendas (Ativo Circulante)

R$

C

Ordenados a Pagar (Passivo Circulante)

R$

Apropriação da despesas com comissões incorridos das unidades imobiliárias.



D

Custos das Unidades Imobiliárias (Passivo Circulante)

R$

C

Despesas com Comissões de Vendas (Conta de Resultado)

R$

Apropriação da receita diferida incorridos das unidades imobiliárias.



Na elaboração de cada balanço patrimonial, mesmo que intermediário, a entidade
de incorporação imobiliária deve analisar as comissões a apropriar e
reconhecê-las imediatamente como despesa, no caso de cancelamento de vendas ou
quando for provável que não haverá pagamento dos valores contratados.

5.3.2.Despesa com propaganda, marketing, promoção e outras atividades
correlatas



As despesas com propaganda, marketing, promoções e outras atividades
correlatas, mesmo que diretamente relacionadas a um empreendimento imobiliário
específico, não fazem parte do custo de construção do imóvel.

Essas despesas devem ser reconhecidas no resultado, em uma rubrica específica
relacionada a despesas com vendas (não afetando,
dessa forma, o resultado bruto das atividades de incorporação imobiliária),
quando efetivamente incorridas, respeitando-se o regime de competência contábil
dos exercícios, de acordo com seu
respectivo período de veiculação, não podendo ser diferidas para futuro
reconhecimento até a entrega das unidades imobiliárias.

5.3.3.Gastos diretamente relacionados com a construção do estande de vendas e
do apartamento-modelo - Decoração e mobília do estande de vendas e do
apartamento-modelo



Os gastos incorridos e diretamente relacionados com a construção de estande de
vendas e do apartamento-modelo, bem como aqueles para aquisição das mobílias e
da decoração destes de cada empreendimento, possuem natureza de caráter
prioritariamente tangível e, dessa forma, devem ser registrados em rubrica de
ativo imobilizado e depreciados de acordo com o respectivo prazo de vida útil
estimada destes itens.

Vida útil é o período durante o qual se espera que o ativo seja usado pela
entidade de incorporação imobiliária.

Quando a vida útil estimada for inferior a 12
meses, os gastos devem ser reconhecidos diretamente ao resultado como despesa
de vendas.

A despesa de depreciação desses ativos deve ser reconhecida em rubrica de
despesas com vendas, sem afetar o
lucro bruto. Esse reconhecimento não deve causar impacto na determinação do
percentual de evolução financeira dos empreendimentos imobiliários.

Eventuais parcelas recuperadas com a venda das mobílias ou das partes do
estande de vendas devem ser registradas como redutoras do custo destes itens.

A entidade de incorporação imobiliária deve avaliar, no mínimo, no fim de cada
exercício social, se há alguma indicação de que um ativo possa ter sofrido
desvalorização. Se houver alguma indicação, a entidade deve estimar o valor
recuperável do ativo. Por exemplo, consideram-se desvalorizados os estandes de
vendas no momento em que parte substancial das unidades estiverem vendidas ou
por ocasião do término de seu uso.

6.Modelo de Plano de Contas



A relação das contas deve abranger todos os aspectos relacionados às transações
imobiliárias, desde a produção própria ou terceirizada, passando pelas formas
de financiamento, até a consumação da venda.

A seguir, apresentamos uma sugestão de plano de contas envoltas na atividade
imobiliária, com destaque para a opção fiscal de diferimento do imposto de
renda para a época do reconhecimento da receita pelo recebimento.

Contas Sintéticas

Descrição das Contas

1

ATIVO

1.1

CIRCULANTE

1.1.1

Disponível

1.1.1.1

Caixa



Caixa Geral

1.1.1.2

BANCOS CONTA MOVIMENTO



Banco do Brasil

1.1.1.3

APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE CURTO PRAZO

1.1.2

CRÉDITOS POR VENDA DE IMÓVEIS

1.1.2.1

CLIENTES - EMPREENDIMENTO A



Cliente A



(-) Títulos descontados



(-) Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa

1.1.3

IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES A RECUPERAR

1.1.4

CRÉDITOS POR ADIANTAMENTOS

1.1.4.1

ADIANTAMENTO A FORNECEDORES



Fornecedor X

1.1.5

ESTOQUES

1.1.5.1

ESTOQUE DE IMÓVEIS CONCLUÍDOS

1.1.5.1.01

RESIDENCIAL LOPES DE SÁ



Unidade A

1.1.5.2

ESTOQUE DE OBRAS EM ANDAMENTO

1.1.5.2.01

OBRA EM ANDAMENTO - RESIDENCIAL B



Salários



Empreiteiros



Material Aplicado

1.1.5.3

ESTOQUES DE MATERIAIS

1.1.5.3.01

ESTOQUE DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO



Cimento

1.1.6

DESPESAS DE EXERCÍCIOS SEGUINTES

1.1.6.1

CUSTOS E DESPESAS ANTECIPADAS

1.1.7

OUTROS CRÉDITOS

1.2

NÃO CIRCULANTE

1.2.1

REALIZÁVEL A LONGO PRAZO

1.2.1.1

CRÉDITOS POR VENDA DE IMÓVEIS

1.2.1.1.01

CLIENTES - EMPREENDIMENTO A



Cliente A

1.2.2

INVESTIMENTOS

1.2.3

IMOBILIZADO

1.2.4

INTANGÍVEL

2

PASSIVO

2.1

CIRCULANTE

2.1.1

FORNECEDORES DE MATERIAIS E SERVIÇOS

2.1.2

EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS

2.1.3

OBRIGAÇÕES SOCIAIS

2.1.4

OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS

2.1.5

OUTRAS OBRIGAÇÕES DE CURTO PRAZO

2.1.5.01

ADIANTAMENTO DE CLIENTES

2.1.5.02

PROVISÕES

2.1.6

CUSTO ORÇADO

2.1.6.01

CUSTO ORÇADO - RESIDENCIAL A



Custo Orçado



(-) Custo Orçado Efetivamente Realizado

2.1.7

CUSTO ORÇADO

2.1.7.01

CUSTO ORÇADO - RESIDENCIAL B



Custo Orçado



(-) Custo Orçado Efetivamente Realizado

2.2

NÃO CIRCULANTE

2.3

RECEITA DIFERIDA*

2.3.1

FONTE CENOFISCO




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